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Bom, semana que vem a minha vida vai mudar um pouco. Talvez não tão pouco assim. Ainda não tive a experiência de mudar de trampo, mas deve ser algo legal. Estudantes de Publicidade e propaganda têm na cachola a “agência ideal”, mas é claro que não é do jeito que se pensa. Mesmo porque não se trabalha sozinho nesse tipo de lugar. Agradeço a Deus e à Yara, que me deu essa chance e disse que ia “apostar em mim”. A oportunidade de se trabalhar como redator em lugares onde o mercado recruta praticamente só diretores de arte é uma vitória e tanto. Já disse à futura patroa que vou chegar cheio de teorias, mas “sabendo” que muita coisa será abstraída.

Parece que os cristãos começaram a entender que a arte é em si mesma uma grande demonstração da ação de Deus.

Esse é um passo importante para o tipo de artistas que queremos emergir nos círculos cristãos, pois quando descobrimos como produzir arte sem ter necessidade de desculpá-la com evangelismo ou quando deixamos de nos sentir pressionados a estampar uma mensagem cristã para agradar meia dúzia de pessoas “espirituais” temos a chance de realizar um trabalho muito mais estimulante e criativo.

E ao tornarmos esse trabalho estimulante e criativo temos a oportunidade de deixar não um simples rastro nos guetos criados pelos cristãos, quando nos libertamos podemos criar uma arte amadurecida e criativa que não será substituída pelo prazo de validade imposto pela nova moda de “unções” e “moveres” que esses guetos costumam fabricar.

Quando penso em arte feita por cristãos penso em pessoas como C.S.Lewis, Leon Tolstoy, Al Green, Howard Finster simplesmente porque sua arte rompeu a barreira do tempo e mostra-se interessante até os dias atuais, não morreu em um prazo de validade gospel, e por isso testifica-se como arte genuína e não apenas artifício.
Entender essa dinâmica da liberdade de criar é fundamental, mas como disse alguém, liberdade sem limites é morte na certa.

Uma boa metáfora sobre liberdade eu ouvi a algum tempo, é sobre o cara que aprendeu a saltar de pára-quedas, ao saltar ele descobriu a liberdade do céu através da queda. Ele estava cheio de vida e empolgado, adrenalina pura! Então começou a saltar toda semana. Num determinado momento do salto ele se empolga demais com a sensação de liberdade e decide vive-la até o ultimo segundo, decide então não puxar a corda que aciona o pára-quedas, bem não é preciso muito esforço pra saber onde nosso amigo foi parar.

Esse é o ponto, quando não precisamos desculpar nossa arte com mensagens que agradem meia dúzia de religiosos precisamos lembrar que isso não significa abrir mão de nossa integridade e caráter cristãos.
Na verdade, essa é uma linha muito tênue quando estamos produzindo ou quando recebemos convites para apresentar nossa produção, nem toda oportunidade é realmente benéfica pra nós como filhos de Deus, precisamos examinar as coisas com cuidado para não transformar a tão sonhada liberdade em morte.
Conheço um garoto de 17 anos que é dançarino, ele é dedicado e cheio de entusiasmo, seu trabalho tem sido reconhecido e ele tem participado de espetáculos com algumas companhias de dança não cristãs, certo dia alguns amigos da igreja o procuraram preocupados com sua carreira, afinal ele estava entrando em um meio “perigoso”.

O garoto tem duas escolhas, contentar-se em dançar em cultos públicos e evangelismo ou abraçar a carreira que ele tanto tem se dedicado, ele felizmente escolheu abraçar a carreira, é certo que essa escolha vai moldá-lo como artista e trará grande beneficio a Igreja quando pensar em um espetáculo no culto público ou de evangelismo, e é certo que sua escolha o coloca em terreno “perigoso”.

Mas ele também acalmou seus amigos deixando claro que precisa deles para seguir em frente, ele entendeu que sua família e a amizade cristã genuína geram comprometimento e alicerçam seu caminhar artístico, ele sacou que sua família e seus amigos são as melhores pessoas para procurar e prestar contas, para desabafar, para pedir oração ou para pedir conselhos sobre o que ele está vivendo.

Ele decidiu trilhar o caminho artístico sem deixar de lado seu caráter cristão e sua integridade, colocou como meta recusar convites que traiam sua fé ou que maculem seu compromisso e relacionamento com Deus.
Assim, é possível artistas cristãos se tornarem relevantes fora das quatro paredes da igreja e construir um trabalho que gere interesse real das pessoas sem deixar de lado o comprometimento com o Criador.

Via Solomon

Olá povo de meu Deus!
O blogueiro aqui não foi sequestrado, não morreu e não está esperando resgate em dinheiro. Estou em épocas de provas na facul, e (lógico) não tenho muito tempo pra postar por aqui. Mas em breve voltaremos com nossa programação normal.

“…Porque eu não me envergonho do evangelho… mas, de ser evangélico” Romanos 1:16 (paráfrase do autor)

Hoje, após anos caminhando no meio do cristianismo e sendo tratado como “evangélico”; depois de sofrer com o descaso e com a sujeira que se instalou no meio religioso; diante da exploração imoral da fé e de pessoas; das decepções que acumulei nestes últimos tempos com a igreja, tomei uma decisão importante para a minha vida espiritual. Para tanto me debrucei sobre a Bíblia e criteriosamente analisei todos os fundamentos que definem o comportamento de alguém efetivamente comprometido com os ensinos de Jesus. Li com exaustão Atos dos Apóstolos para só depois tomar a decisão que achei a mais sensata diante do quadro que se instalou no meio religioso. Assim, deixei de ser mais um “evangélico” e decidi ser “cristão assumido”.

Você pode estar pensando que é tudo a mesma coisa, que não há qualquer diferença nas duas expressões, mas apesar de se assemelharem, definitivamente não há como serem associadas. Não da forma como pregam por aí nos transatlânticos da fé ancorados em quase todas as esquinas das cidades ou nos supermercados religiosos que vivem abarrotados de pessoas à procura de novidades. Aliás, vale salientar que os discípulos foram, em Antioquia, reconhecidos como “cristãos” e não como “evangélicos”. – Atos 11:26

Você pode estar me chamando de maluco ou desinformado; pode estar me considerando um herege; um rebelde frustrado, mas diga-me, quem são os “evangélicos” hoje? Que atributos credenciam alguém ao titulo de ser “evangélico”? Sugiro que você, antes de um prejulgamento contra a minha pessoa, faça uma lista contendo um nome de expressão no Brasil, no seu estado e em sua cidade, de alguém que você considera evangélico, pessoas que estejam ligadas à política, meio empresarial, educação, saúde ou órgão do governo.

Não vou exigir muito, estes me servirão como base para a minha tese. Vamos continuar o exercício, agora me diga, dos nomes que você listou, em qual desses setores você pode dizer com todas as palavras que “põe a mão no fogo” pelos indicados? Para qual dos escolhidos você seria capaz de ir aos tribunais defendê-lo na sua conduta como “evangélico”? Se a lista fosse minha, nenhum! E olha que não estou sendo radical, apenas sincero. É isto mesmo, a banalização do evangelho com práticas construídas sobre interesses denominacionais e não sob as ordenanças Divinas me dão sustentação suficiente para fundamentar os meus argumentos e a minha defesa. Cansei de ver raposa tomando conta de galinheiro.

Obviamente que existe ainda um grupo de pessoas com boas intenções, gente que de alguma forma busca viver o que prega, que ainda acreditam na propagação do evangelho como único instrumento capaz de satisfazer aos anseios do coração e da alma do homem. Louvo a Deus por estes que ainda resistem bravamente às investidas de satanás contra a igreja de Cristo e espero que não desistam de seus objetivos.

Já ao final de seu ministério, Charles Spurgeon* escreveu uma série de artigos intitulados “O Declínio” onde ele estava advertindo a igreja de seus dias, lá no passado, quanto ao fato de que o cristianismo estava em declínio e, o que era pior, o ímpeto de descida parecia estar vencendo todas as tentativas de conter esta decadência. Os líderes cristãos estavam se tornando mundanos, espiritualmente frios e tolerantes aos erros doutrinários. Isso acontecia em tal nível que Spurgeon tinha receios de que a igreja perderia completamente o seu testemunho. Infelizmente, a previsão de Spurgeon se tornou em realidade insofismável hoje.

Lamentavelmente o que vemos é muito mais gente que usa do titulo de “evangélico” para se esconder, para se auto-promoverem, para ganharem um bom dinheiro, contrariando com comportamentos condenáveis o que na verdade significa ser “evangélico”. O rotulo, mesmo falsificado, neste caso enseja confiança aos desavisados. Para onde foram os bons costumes? Onde está o senso de moral? O mundo encontra-se hoje numa situação vergonhosa e desesperadora, no entanto, os seus habitantes não têm vergonha do que fazem ou dizem e muitos encontraram na religião um lugar seguro para agirem sem serem incomodados.

Me envergonho do evangelho ao ligar a televisão e ver homens inescrupulosos negociando com a fé das pessoas; ao saber que na frente das telas da TV há muitos pobres evangélicos aprovando e até contribuindo com tudo que é mostrado ali; ao ver o comércio da fé sendo explorado livremente nas igrejas eletrônicas onde vende-se de tudo; ao ver a religião evangélica fazendo parcerias indissolúveis com o inimigo; ao ver líderes atrelados, andando de mãos dadas com o diabo na maior naturalidade. Me envergonho ao ver homens mudando a verdade de Deus em mentiras, honrando e servindo mais a criatura do que ao Criador; Quanto dinheiro jogado fora nas fossas podres da religiosidade permissiva, nociva à sociedade e à vida espiritual. Quanta vergonha! Vergonha acompanhada por um misto de indignação e revolta, pois mesmo com todo o meu protesto e o meu esforço, percebo que a coisa caminha para o retrocesso rumo a um abismo espiritual intransponível.

Me cansei de carregar na testa o rotulo de evangélico. São todos iguais, afirmam as pessoas, colocando todo mundo num mesmo patamar, misturando joio e trigo em um só saco. Justos e pecadores, sérios ou não, todos sem distinção estão, pelas palavras da sociedade comungando comportamentos religiosos semelhantes. Os “evangélicos” lamentavelmente são os que mais enganam, os que faltam com a honra da palavra, os que difamam, subjugam pessoas, envolvem-se em escândalos espreitam a derrota, inclusive, dos próprios “irmãos da igreja”; são os que mais se divorciam segundo dados, os que mais sabem apontar o indicador de condenação, os que matam o amor pregando o amor. Cansei-me dos chavões, dos sermões e palavras construídas sob encomenda, pois de nada adianta falar do amor de Deus enquanto pessoas, do lado de fora dos templos, estão sem entender o barulho que se faz lá dentro.

Do outro lado o que vemos, no entanto, são pessoas simples dividindo o pouco que têm, com seus semelhantes sem ter nenhuma denominação religiosa por trás, enquanto muita gente que diz ser “servo de Deus”, e até se orgulham disto, com tudo que precisam e mais alguma coisa; com todos os pressupostos de felicidade à disposição, gente de triunfo, de sucesso, que pouco ou nada fazem, mesmo tendo muito mais do que precisam para viverem uma vida tranqüila.

Ser “evangélico” está na moda, ser “cristão” não. O primeiro é bonito, é moderno, é diferente, é místico, é favorável e em alguns casos dá status. O segundo pelo contrário não atrai pelas exigências de fidelidade e comprometimento sincero com princípios que poucos estão dispostos a arcarem com o peso que eles colocam sobre os ombros. Basta só dar uma espiadinha na lista de artistas, de jogadores e de políticos que se declaram “evangélicos” todos os dias… Ter um destes no rol de freqüentadores da igreja pode render bons lucros. Quanta hipocrisia! Quanta enganação!

Por tudo que relatei acima tomei a decisão de abandonar a fachada de “evangélico” para ser apenas “cristão”. Decidi viver bem com Deus, sem, no entanto, fazer propósitos irracionais, sem viver na alienação dos temores, sem ser forçado à obediência a líderes que intimidam e não pregam o evangelho. Decidi ser mais espiritual, mais humano, mais emocional, mais racional, mais sensível. Decidi ainda a abandonar a religiosidade vazia fundamentada em formas e resolvi correr atrás de conteúdo, algo que preencha todos os vazios do meu coração e da minha alma. Quero ser cheio de compaixão, exprimir amor na sua profundidade e na sua extensão, quero entender o sofrimento alheio. Quero, simplesmente, ser “cristão”.

* – Charles Haddon Spurgeon, foi um pastor batista britânico, que morreu em 1892.

Autor: Carlos Roberto Martins de Souza

Via Solomon

Detonautas é uma banda que, como poucas, utiliza da sua musicalidade pra criticar o comportamento humano, enaltecer o amor e deixar todo mundo pensando depois de ouvirem suas músicas. Aqui eu coloquei um vídeo do álbum acústico. Música: O amanhã.

A Igreja e a Arte tiveram um relacionamento de altos e baixos nos últimos milênios. Às vezes, a Igreja foi patrona das artes, financiando e apoiando escultores, pintores e músicos com seus recursos. Outras vezes, a Igreja bateu de frente com a Arte, vendo-a como desperdício de tempo ou pior, como expressão de hedonismo e sensualidade.

Hoje, apesar de muitas igrejas não serem muito receptivas a artistas, existe um ressurgimento de interesse e de defesa das artes. Na faixa abaixo dos 40 dos membros da igreja, gostar de arte é como gostar da sua avó, ou seja, apenas os mais retrógrados e incultos não o fazem. Existem duas coisas que nenhum jovem cristão se atreve a ir contra: justiça social e arte.

A paixão por encorajar a arte é compreensível e na maior parte, recomendável. Não só a Igreja tem um longo histórico de apoio à arte, como a Bíblia fala muito bem daqueles com dons artísticos e artesanais (como a famosa dupla Bezalel e Aoliabe). E sejamos honestos, muitas de nossas igrejas não são exatamente um abrigo saudável para artistas. A cultura da igreja é normalmente conduzida pela classe média, não por alternativos e boêmios. Logo, faz sentido que nós precisemos sair da nossa zona de conforto para poder receber artistas e encorajar seu trabalho.

Antes de me aprofundar, quero deixar claro que não vou apresentar uma teologia da Arte. Não sou capacitado para isso. Para aqueles interessados em um tratamento mais completo do Cristianismo e da Arte, eu recomendo o livro “Art of God’s Sake” (Arte para Deus), de Philip Ryken. Não sou um artista. Quer dizer, não sou pintor, escultor, poeta ou dançarino (você, definitivamente, não quer me ver dançando). Já estive em corais e tive algum treinamento vocal. É na música que eu chego o mais perto de algum senso artístico. Mas no geral, me considero um cristão bem mediano quando se trata de artes (mas eu me esforço bastante na ‘arte’ de escrever e pregar, ou seja, estou falando mais da ‘Alta Arte’ nesse texto). Eu gosto de algumas coisas da Arte, acho algumas coisas chatas, e algumas eu simplesmente não entendo.

Como pastor, eu acho que uma ênfase renovada na arte em nossas igrejas pode ser uma coisa muito boa, ou muito ruim. Tudo depende de como o grupo da “arte é a resposta” e o grupo da “arte é estranha” pode chegar alguns pontos de contato e um terreno comum. Em relação a isso, quero oferecer algumas teses a respeito da Igreja e da Arte.

1. Devemos permitir que a arte seja arte. Às vezes, cristãos cometem o erro de achar que para a arte ter algum valor, precisa compartilhar o evangelho ou falar explicitamente de Jesus. Tal abordagem normalmente produz arte ruim e evangelismo ruim. A Arte tem seu valor porque tem a capacidade de ser bela e cheia de verdade. Não podemos achar que a arte vai comunicar da mesma forma que um discurso.

2. Arte tem seu valor, assim como várias outras coisas. Nem sempre os Cristãos sabem o que fazer com a arte. Pensamos “realmente existe algum valor em uma bela dança ou em um poema difícil de entender?”. Mas, se bem feita, a arte pode nos inspirar, confortar, incomodar, e ativar diferentes áreas de nosso cérebro. A Arte nos lembra que a utilidade não é a unidade de medida para o valor. Mas a Arte não é um deus, nem o curso preferido de Deus na universidade. Não há nada intrinsecamente melhor (ou pior) em ser um artista do que ser um contador, um programador de computadores, ou um vendedor.

3. A Arte pode realizar algumas coisas, mas pode não realizar outras. Cristãos normalmente têm problemas com a arte porque ela pode ser ambígua e aberta para muitas interpretações. Ela não está fechada a opiniões. Leva-nos a pensar, mas também a sentir. Ela ‘forma’ mais do que ‘informa’. Nesse sentido, a arte pode ‘ensinar’ sobre como nosso Deus é criativo e belo. Mas a engenharia pode ‘ensinar’ sobre como nosso Deus é coerente e conhecível. Deus é infinito. Várias profissões e várias vocações podem demonstrar seus diversos aspectos. Não devemos cometer o erro – e eu ouço bastante sobre isso – de achar que “poetas, artistas, escritores, eles sim, são os que realmente podem nos ensinar sobre Deus”. Bem, sim, eles podem. Mas os padeiros e os coletores de lixo também podem.

4. Nosso louvor deve buscar excelência artística, mas deve ser inevitavelmente “popular”, direto e objetivo. Eu estou sempre dizendo às pessoas que nós queremos “indiscutível excelência” nos cultos dominicais (agradeço a John Piper pela expressão). Não quero que pensemos que mediocridade é uma virtude espiritual. Cada igreja terá capacidades diferentes, mas o objetivo deve ser a melhor música, o melhor som, os melhores instrumentos, assim como queremos a melhor pregação. O momento de louvor dos cultos não é o melhor momento para dar ao Joãozinho uma chance de arranhar alguns acordes no violão. É uma oportunidade, para aqueles que se esforçaram para estudar e refinar seus talentos, de servir a Deus com seu trabalho.

Por outro lado, as igrejas devem ter em mente que o objetivo do louvor não é exibir o talento de artistas. O objetivo final é edificar congregação e adorar a Jesus para a glória de Deus. Isso significa que a música deve ser simples o suficiente para que centenas (ou milhares) de pessoas sem treinamento possam cantar ao mesmo tempo. Isso também significa que nosso louvor deve lidar com a verdade da forma mais direta possível. Eu não quero pessoas após o culto se perguntando qual era o significado do louvor. Eu não quero que elas pensem em interpretações variadas. Eu quero que a mensagem seja clara e objetiva. Em 1 Coríntios 14, Paulo argumenta em favor da mensagem que é compreendida por todos durante o culto. Não estamos buscando experiências individuais de louvor. Queremos o máximo de clareza, o que significa que não vamos nos desculpar por focar mais na palavra e menos em outras formas de ‘arte’.

5. As igrejas podem aprender a receber artistas, mas os artistas não devem esperar que a igreja seja uma galeria de arte. Como eu disse, a igreja tem um histórico de apoiar a arte. Existe algo único nas artes visuais (estou pensando em pinturas, cartazes, murais, fotografias e etc.) que as torna propícias a serem incluídas no “espaço sagrado”.  É complicado para um corretor de imóveis demonstrar suas capacidades no meio litúrgico, mas isso é possível à arte. Se existem artistas talentosos na sua igreja, considere a possibilidade de reservar algum espaço para que seus trabalhos possam ser expostos e integrados ao ambiente. Mas os artistas precisam perceber que a igreja não é uma galeria de arte. Eles precisam ter a sensibilidade para perceber que nem todas as obras podem ser usadas nesse contexto, e a humildade para ouvir um “obrigado, mas… não, obrigado”. Alguns trabalhos não se encaixam no contexto ou no clima da igreja. Algumas obras se tornam antiquadas. Outras nos distraem (em um sentido ruim). E outras simplesmente não são tão boas assim. Apesar disso tudo, a não ser que queiramos voltar ao modelo de igreja da Idade Média, é improvável que a igreja volte a apoiar e incentivar a arte como já fez (pelo menos financeiramente falando).

6. Artistas nos ajudam a reconhecer nossos ídolos, mas artistas também têm seus ídolos. Banqueiros chegam a idolatrar o dinheiro. Há mães que idolatram seus filhos. Acadêmicos muitas vezes idolatram o seu intelecto. Pastores podem acabar idolatrando a pregação. Artistas, a auto-expressão. O pior é que muitas vezes nos orgulhamos equivocadamente de não nos curvarmos aos ídolos dos outros. A boa arte pode ajudar a remover pretensões e pragmatismos excessivos. Bons artistas devem ser humildes a respeito de suas próprias limitações e pecados. E bons cristãos devem sempre almejar a verdade e a beleza, aonde que elas estejam.

por Kevin DeYoung, traduzido por Filipe Schulz

Via Cristianismo Criativo

A história da igreja e dos cristãos de forma geral em relação à arte e a cultura é dividida entre os períodos em que todo o processo artístico e seu desenvolvimento são vistos com total respeito, os artistas tem apoio e encorajamento dentro dos círculos religiosos, e períodos de total desprezo sobre o assunto.

Em certos períodos o valor do artista e da produção artística em si não é visto de maneira platônica nem preconceituosa, o desenvolvimento é demonstrado de maneira muito ativa, incluindo o fator financeiro.

O que acontece em outros períodos da história, no entanto é um total desdém em relação à arte e a cultura agravado por um preconceito em relação ao artista que não é visto como um trabalhador, a idéia de arte como vagabundagem é – no nosso tempo – fruto dos discursos da era da ditadura militar, os artistas são nessa perspectiva, boêmios sem preocupações ou responsabilidades, um verdadeiro marginalizado.

É bem comum nesses períodos artistas serem tratados como se seu trabalho fosse o menos importante – isso quando é entendido como trabalho – até que por algum motivo ele seja útil em alguma área da igreja passando então de sem importância para uma importância emergencial, porem, ainda assim desdenhada .

Em minha experiência vejo a igreja e os cristãos – de forma geral e com pouquíssimas exceções – explorarem artistas com alguns argumentos que transcrevo abaixo:

- Um passatempo e uma maneira de ser usado quando necessário:

Para muitos cristãos não existe uma consciência de que desenvolver arte da trabalho, requer empenho, estudo e leva tempo, uma dedicação encontrada em qualquer profissão desde medicina a direito, para muitos cristãos o “talento” é visto como algo mágico que acontece sem todo esse esforço e que não teve/tem dedicação, visto assim dificilmente o trabalho será entendido de forma séria.

- É para o Reino irmão:

Já que não existe trabalho para desenvolver arte, quando a emergência aparece para cristãos e para a igreja o “espiritual” é o papo mais usado, “isso aqui é para o Reino irmão”, traduzindo: “faca de graça e rápido, não me importo com sua vida, se você tem tempo, se precisa pagar contas, se seu estilo de trabalho contempla a necessidade ou se você precisa de algum material pra ser usado, apenas faça, precisamos tapar esse buraco e você é a pessoa indicada para isso”. Mas espiritualidade separada da necessidade corpo-alma-espirito – a forma como Deus nos criou – não é espiritualidade genuína, é na grande maioria das vezes sensacionalismo, não contempla o ser humano como um todo e tende a exploração.

Apesar do desdém jamais buscam um artista ruim para executar o trabalho, sempre querem o melhor.

Tenho que fazer alguns comentários aqui, não sou contra o trabalho voluntario, ofertar seu trabalho e talento é prazeroso e válido! Faça isso! Porem não assumir que existam os aproveitadores de plantão e que as artes e a cultura são vistas de maneira preconceituosa e com desdém não vai nos ajudar a chegar a lugar algum.
Desculpar essa falta de sensibilidade usando versículos isolados não ajuda a criar uma cultura que dignifique o trabalho artístico.

Também estou ciente que existem artistas – se é que podemos chamá-los assim – que são exploradores, cobram cachês irreais para apresentações em igrejas e eventos e ainda argumentam – e sobrevivem provavelmente por causa desses argumentos – uma razão espiritual para essa pratica, na verdade esses argumentos são iguais aos citados no segundo ponto “é para o Reino irmão” só que invertidos.
Esse tipo de atitude ajuda a manter o artista como um ser a parte, melhor que os demais, e nenhum desses extremos ajuda, como disse C.S.Lewis – embora sobre outro assunto – “

…porque um erro gera o erro oposto …“ .

Entender que cada um tem uma parte no Corpo e portanto o artista não esta fora dessa tarefa é outro ponto importante para desenvolvermos um dialogo sério sobre o sentido e o valor da arte e da cultura nos círculos cristãos, o artista é tão importante – e não mais – como o pastor ou o missionário.

Esse texto não vai mudar as coisas, mas pode ser um bom começo para refletirmos e buscar um dialogo mais consistente sobre o assunto.

Via Solomon

Na sociedade moderna, a tolerância transformou-se na maior de todas as virtudes. Aceita-se tudo, não se critica nada. O que mais me preocupa não é a capacidade de compaixão e paciência que a tolerância produz em nós, mas a ausência, cada vez maior, de valores e princípios absolutos que nos ajudam a separar o justo do injusto, o certo do errado.

O sociólogo francês Gilles Lipovetsky, em seu livro “A Sociedade Pós-Moralista”, descreve assim a tolerância na cultura moderna: “A tolerância adquire uma maior fundamentação social não tanto pelo fortalecimento da compreensão dos deveres de cada um perante o próximo, mas em razão de uma nova dimensão cultural que rejeita os grandes projetos coletivos, exaurindo de sentido o moralismo autoritário, diluindo o conteúdo das discussões ideológicas, políticas e religiosas de toda a conotação de valor absoluto, orientando cada vez mais os indivíduos rumo à sua própria meta de realização pessoal”. Ou seja, a ausência de uma consciência coletiva, a rejeição a qualquer verdade que seja absoluta e a busca pela realização pessoal geram uma forma perigosa de tolerância.

Entretanto, o perigo da rejeição a uma verdade absoluta está no fato de que ser tolerante hoje implica, necessariamente, não julgar, não ter mais critérios que separem o bem do mal, o justo do injusto; e, uma vez que não julgamos mais, poucas coisas nos chocam ou abalam e, quando o fazem, é por pouco tempo. Vivemos um estado de normalidade caótica, de paz frágil, de tranqüilidade tão relativa quanto os nossos valores.

Na oração de confissão de Daniel há uma declaração que vem se tornando cada dia mais rara entre nós: “A ti, ó Senhor, pertence a justiça, mas a nós, o corar de vergonha” (Dn 9.7). Isto não acontece mais. Somos demasiadamente tolerantes para “corar de vergonha”. Mesmo diante de fatos trágicos e deploráveis que vemos todos os dias, o máximo que conseguimos é uma indignação passageira. Porém, é a possibilidade de corar de vergonha que não me permite rir da corrupção, achar normal a promiscuidade, conviver naturalmente com a maldade e a mentira, ou, ainda, achar graça da injustiça.

Vivemos numa cultura que se orgulha do pecado, glamourizando-o através dos meios de comunicação, fazendo das tribunas públicas um palco de mentiras, organizando marchas para celebrá-lo, rindo da corrupção, exaltando a esperteza. E ninguém fica corado de vergonha.

Daniel contrasta, de um lado, a natureza justa de Deus e, de outro, a corrupção e a injustiça do seu povo. Ele só é capaz de fazer isto porque sua ética e moral estão ancoradas em verdades absolutas sobre as quais não pode haver tolerância. A conclusão a que ele chega é que, diante da justiça divina e do quadro trágico de um povo que se orgulha de sua maldade, o que sobra é o “corar de vergonha”.

Ele nos apresenta aqui a importância de uma vergonha saudável e essencial na preservação da dignidade humana e espiritualidade cristã. A vergonha aqui é a virtude que nos ajuda a reconhecer nossos erros, limitações, faltas e pecados porque ainda somos capazes de perceber que existe algo melhor, mais belo, mais sublime, mais nobre, mais justo, mais santo e mais humano pelo qual vale a pena lutar. A vergonha nos impõe um limite. É por isto que o caminho para o crescimento e amadurecimento passa pela capacidade de ficar corado de vergonha diante de tudo aquilo que compromete a justiça e a santidade. No caminho da santidade lidamos com o amor, verdade, bondade, justiça, beleza, entrega, doação e cuidado. A falta de vergonha nos leva a negar este caminho e optar pela mentira, manipulação, engano, falsidade, hipocrisia e violência.

“Corar de vergonha” é uma virtude que falta na experiência espiritual moderna, a virtude de olhar para o pecado que habita em nós, a mentira e o engano que residem nos porões da alma, a injustiça que se alimenta do egoísmo, a malícia que desperta os desejos mais mesquinhos, e se entristecer. Precisamos reconhecer que foram os nossos pecados que levaram o Santo Filho de Deus a sofrer a vergonha da cruz. Quando olhamos para a cruz e contemplamos nela a beleza e a pureza do amor, só nos resta “corar de vergonha”.

Ricardo Barbosa de Sousa

Via Solomon

Boa Música (IV)

Kid Abelha é simplesmente uma banda que eu sou apaixonado. O que me deixa mais feliz é que milhões de outras pessoas também gostam das letras e da musicalidade do trio. Infelizmente ainda não voltaram nas paradas, mas suas músicas continuam tocando os corações. Aqui eu postei a música Lágrimas e Chuva, do Acústico MTV, produzido em 2002. Já sei esse DVD decor, de tão bom que é. Paula, você é linda!

Vale a pena procurar mais sobre esse show.

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